quarta-feira, 14 de julho de 2010

Campanha eleitoral - 2010

Tem circulado na internet uma pretensa piada, comparando a falta de experiência no cargo do Dunga e do Maradona (e o respectivo resultado, que o texto chama de merda) com a suposta ausência de experiência da Dilma, sugerindo resultado similar em caso de vitória da candidata do PT ao pleito presidencial.

O piadista de plantão somente se esquece que a Dilma fora Ministra de Minas e Energia, no primeiro mandato do presidente Lula e Ministra chefe da Casa Civil, no segundo mandato. Ou seja, experiência no executivo federal tem de sobra.

Além disso, me impressiona que as motivações para escolha do candidato seja tão superficial. O exercício do poder político é tratado como função neutra, a qual seria bem exercida se o candidato cumpra determinados requisitos técnicos. Se esquece, propositadamente, dos elementos econômicos, políticos e ideológicos que permeiam a política.

Não se discute projeto de nação, se preferimos um modelo de corte liberal, neo-liberal, social-democrata (não o partido!), socialista, ou qualquer outro. Temos, enquanto cidadãos que gozam da (estreita) prerrogativa política do voto, a responsabilidade de aprofundar o debate, para além do pântano que se apresenta sobre as candidaturas.

Ao tratar de qualidade de gestão, a suposta experiência que teria o candidato apresentado como alternativa pela piadinha em questão, me vem à tona o buraco nas obras do metrô, causado pela presa em entregar uma obra meramente eleitoreira (o PSDB está no governo do Estado há 16 anos, não se esqueçam) e que, até hoje, o douto candidato sequer se pronunciou; a complacência com a grilagem de terras públicas procedidas pela Rede Globo; a truculência com os pobres e miseráveis, expressa inclusive com os constantes incêndios em favelas; a tentativa a toque de caixa de privatizar a CESP; a tentativa de privatizar o Banco Nossa Caixa, que só não restou frutífera porque o Banco do Brasil o adquiriu; novamente a truculência, desta vez com trabalhadores, servidores públicos e estudantes em greve, notadamente nos casos do professorado do Estado e da USP; o trágico alagamento do Jd. Pantanal, que permaneceu imerso às águas do Rio Tietê por três meses, visto que o governo, conjuntamente com a prefeitura, pretendia retirar a população do local para criar um parque; os constantes e abusivos aumentos de pedágio; uma política fundiária voltada exclusivamente ao agronegócio – gerenciado por grandes conglomerados estrangeiros, diga-se – desconsiderando que a agricultura familiar, utilizada principalmente por famílias em assentamentos, é responsável por 80% da produção dos alimentos consumidos no Brasil; a redução do período de validade do bilhete único; a terceirização das bilheterias do metrô; a aquisição, via secretaria de educação, de mais de 200 mil revistas da Editora Abril, num contrato estipulado em R$ 3,7 milhões, sem licitação – além da questionável qualidade do material produzido pela referida Editora, que é financiada por um grupo econômico sul-africano protagonista do apartheid.

Bem, de cabeça são os exemplos que me lembro. Acho que são suficientes para demonstrar qual candidato é mais próximo da “merda”,como sugere a piada.

Só para finalizar, ressalto que não sou eleitor da Dilma, tenho minhas críticas a ela e ao projeto político apresentado pelo PT nos últimos anos. No entanto, é evidente o distanciamento existente entre as candidatura, pendendo a balança, numa perspectiva de desenvolvimento liberal do país, ao lado Dilma.

E, sabendo que os autores do excreto não são pessoas que fazem um recorte social à esquerda, resta evidente que a motivação contra o PT, ocasionalmente à Dilma, se norteia exclusivamente pelo preconceito e discriminação. Aliás, a Veja, semanário preferido dessa suposta elite intelectual (os brancos de olhos azuis, nas palavras de Cláudio Lembo), já indica a seus seguidores que o preconceito será o tom dessas eleições – conforme capa que resgata debate de 2002, do medo que devemos ter radicais do PT. Se esquecem que a Regina Duarte falando “eu tenho medo”, virou motivo de chacota.

Fato é que esta técnica somente se apresenta quando não há qualquer outro argumento que justifique suas pretensões. Em outras palavras, a direita não tem alternativa alguma ao projeto político que o PT representa.

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