Arte e Política
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
-choro como se fosse morrer...não é possível resistir...
Sem meu poeta nada mais existe...por um momento o zumbido para, seu diário imaculado, estava ali, ali no fundo da gaveta, tranqüilamente esquecida aberta, o segurei em minhas mãos duplas, e no fundo das minhas lembranças ele retorna e num ato desumano, leio suas confissões...
Por que somos tão imperfeitos
e tão imperfeitos são nossos relacionamentos
que nada entre....
-Cada palavra delicadamente pousada no papel, tão firme,tão sólida, sempre secreta, ele dizia: “segredos meu amor, significam surpresas futuras e nenhuma desilusão,se vier de mim.”
Como posso trai-lo, sinto me invadida de terror por mim mesma, qual castigo viria eu a sofrer por tal ato...Olho o quarto, com uma ligeira desconfiança,como se os livros me denunciassem, sem pena da minha pobre alma abandonada... pausadamente volto a ler.
...entre tantas coisas me bastaria para ama-la.
Nenhuma ilusão, nenhum afeto, nada...
Nada alem da significância de seu olhar
De manha, ao acordar e me dizer...
tua, nada mais que tua presença,
Significa para mim, como mais um livro empoeirado e já lido, na estante.
Sorria e admirava a sua doce sinceridade
mesmo assim são tantas coisas que não nos deixam sozinhos...
Respeito, era tudo que ele me pedia, respeito à não tentar olhar de soslaio suas escondidas perfurações, cicatrizes infinitas, nunca vista por ninguém...
Dizia-me que tudo que fosse escrito para mim, seria eu a primeira e se quisesse a única a ter a liberdade nostálgica de ler, não poderia agora eu, quebrar o acordo, o único acordo que fizera naquela inconstante vida, naquela relação invisível minha, naquele cotidiano variável entre ilusão e criativa realidade.
Abandono o diário, em cima da mesa, nada ali me diria algo que não sei, nada preencheria as questões pausadas no ar, os afetos deixados de lados e os olhares mal explicados...Ao se despedir, sempre dizia algo irrelevante e repetitivo, para que tivesse um bom dia, ou ficasse bem, eu sorria em reposta, e antes de fechar a porta, respondia meu sorriso com disseres de sua mãe, “o que não é dito, é mais facilmente esquecido”, batia a porta e seguia.
Resolvi ao analisar o vento ao bater na cortina e suas sobras provocadas em cima do diário, que as únicas lembranças que estariam comigo, seriam todas as suas palavras nos seus solitários dias, e nada mais, retornando a gaveta, ele seguiria e nunca mais voltaria.
Por um instante, êxito, folheio novamente, por puro acaso do manuseio, e paro em um folha rabiscada.
Dedico os meus dias
A tudo que foi...
A musica que não ouvi
A pintura que não enxerguei
Ao filho que não tive
Ao amor que evitei
A pessoa que nunca fui
...dedico a minha vida.
Espanto e desejo de iniciar a leitura desde o primeiro escrito, a primeira pagina ate os últimos suspiros anotados nas bordas das paginas. Resisto? Sim, resisto... talvez só mais uma folha, somente mais uma, e todo o resto ficaria em segredo, como ele desejara...ao abrir novamente, cai um bilhete.
Para minha querida Helena*
Como ele sabia,como sabia que eu o trairia, como descobriu minha fraqueza, antes de mim mesma, o zumbido retorna mais nauseante e ensurdecedor como se estivesse chegando um grande vazio, envolvida, por um momento, cause me deixo levar, silencio... uma lagrima acida escorre rasgando minha face em duas...firmo novamente as mãos abandonadas no ar, localizo-as em frente aos olhos e vejo.
Tenha um bom dia!
Papai te ama.
Impossível de resistir...sorrio...para mim, para os livros, para aquelas palavras nunca tão doces, nunca tão belas...levanto, sigo ate a estante, retiro um livro e coloco o diário no lugar.
E começo a ler.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
PSDB perde ação contra o PCB de São Paulo
por Daniel Zanini H.
O TSE decidiu hoje pela improcedência da ação proposta pela Coligação Brasil Pode Mais e pelo presidenciável José Serra contra o PCB e seu candidato ao senado por São Paulo, Antonio Carlos Mazzeo.
Na ação, o PSDB pretendia obter o direito de resposta de um minuto devido a afirmação veiculada em programa eleitoral na televisão pelo PCB que acusava o ex-governador do estado de São Paulo de ordenar a invasão dos campi da USP e da UNESP e a prisão de estudantes e funcionários das universidades.
A Coligação afirmou que a propaganda teria ofendido a honra de seu candidato, José Serra, pois não seria de sua competência como governador determinar esse tipo de ação por parte da polícia.
Na decisão, o ministro Joelson Dias entendeu não serem ofensivas nem inverídicas as afirmações levadas ao ar no programa do PCB. Ainda em sua decisão, Dias afirma que a polícia militar age sob comando e é subordinada ao Poder Executivo, exercido à época pelo ex-governador José Serra.
Felipe Lopes Tamelini, do escritório de advocacia Gomes, Almeida & Caldas, que defendeu o PCB, elogiou a decisão apontando como elemento importante o reconhecimento do direito de crítica durante a campanha. “É evidente a preocupação da campanha de José Serra com sua baixa aceitação popular. Com a ação, o candidato tenta obter sem fundamento jurídico algum algo mais de tempo durante o horário eleitoral gratuito”, afirmou.
Da decisão, ainda cabe recurso ao Pleno do TSE.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Instituto Luiz Gama e Sindicato do Jornalistas promovem evento em São Paulo
Por Felipe Lopes, extraído do saite do Instituto Luiz Gama
O Instituto Luiz Gama e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, realizaram na quinta-feira, 09 de setembro, o debate “O Papel da Política no Tratamento da Questão Negra no Brasil: Problemas e Propostas”. Com a participação dos candidatos a deputado estadual Anderson Silva (PT), Bea Robertão Prudentino (PT do B), Evaristo África (PDT) e Walber Magrão (PCB).
Com a coordenação do presidente do Instituto, Silvio Luiz de Almeida e seu assessor João Bosco Coelho, o evento se propôs a confrontar idéias e levantar questões sobre os problemas e as dificuldades vividas pelo negro no Brasil. Os candidatos ouviram relatos e apresentaram seus argumentos e propostas sobre a questão racial.
“A intenção do debate foi dar uma dimensão concreta para o que chamamos de democracia. A democracia não é apenas o ato de depositar o voto na urna. Tem-se como requisito fundamental a efetiva participação da população na construção do processo político. E isso somente é possível se tivermos conhecimento e a dimensão de como a sociedade se organiza e se constrói”, afirmou Almeida

Walber Magrão
O candidato Walber Magrão ponderou sobre a necessidade de se compreender a questão dos afrodescendentes inserida na perspectiva da luta de classes. Lembrou que a exclusão racial é um desdobramento da exclusão social decorrente da lógica da sociedade capitalista. Deste modo, reconheceu que há limitações políticas no mandado parlamentar, apontando ainda necessidade da construção de uma alternativa de poder popular contra-hegemônica.

Anderson Silva
Já o candidato Anderson Silva mostrou as conquistas que obteve durante o seu mandato de vereador no município de Francisco Morato. “Diziam que quando fosse eleito, ou me venderia, ou estaria morto. Não aconteceu nem uma coisa nem a outra”. Ressaltou ainda que pretende desenvolver um projeto popular para a periferia. Finalmente, Evaristo África pontuou que pretende desenvolver no Estado de São Paulo os objetivos do milênio, metas estabelecidas pela ONU voltadas à erradicação da fome, dentre outros temas.

Evaristo África
Ao final do evento o assessor do Instituto Luiz Gama, João Bosco Coelho, apontou para a importância de se repetir eventos similares, afirmando que a aproximação da população negra da construção do processo político é fundamental para solução dos seus problemas. “É necessário realizar diversos debates como estes, dialogando principalmente com moradores da periferia, para reforçar a importância de assumirmos o protagonismo político que nos cabe”.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Aroeira - Geraldo Vandré
Quem tem fé vai me esperar
Escrevendo numa conta
Pra junto a gente cobrar
No dia que já vem vindo
Que esse mundo vai virar
Noite e dia vêm de longe
Branco e preto a trabalhar
E o dono senhor de tudo
Sentado, mandando dar
E a gente fazendo conta
Pro dia que vai chegar
Marinheiro, marinheiro
Quero ver você no mar
Eu também sou marinheiro
Eu também sei governar
Madeira de dar em doido
Vai descer até quebrar
É a volta do cipó de arueira
No lombo de quem mandou dar
quinta-feira, 15 de julho de 2010
À Sophia Ailez
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Campanha eleitoral - 2010
Tem circulado na internet uma pretensa piada, comparando a falta de experiência no cargo do Dunga e do Maradona (e o respectivo resultado, que o texto chama de merda) com a suposta ausência de experiência da Dilma, sugerindo resultado similar em caso de vitória da candidata do PT ao pleito presidencial.
O piadista de plantão somente se esquece que a Dilma fora Ministra de Minas e Energia, no primeiro mandato do presidente Lula e Ministra chefe da Casa Civil, no segundo mandato. Ou seja, experiência no executivo federal tem de sobra.
Além disso, me impressiona que as motivações para escolha do candidato seja tão superficial. O exercício do poder político é tratado como função neutra, a qual seria bem exercida se o candidato cumpra determinados requisitos técnicos. Se esquece, propositadamente, dos elementos econômicos, políticos e ideológicos que permeiam a política.
Não se discute projeto de nação, se preferimos um modelo de corte liberal, neo-liberal, social-democrata (não o partido!), socialista, ou qualquer outro. Temos, enquanto cidadãos que gozam da (estreita) prerrogativa política do voto, a responsabilidade de aprofundar o debate, para além do pântano que se apresenta sobre as candidaturas.
Ao tratar de qualidade de gestão, a suposta experiência que teria o candidato apresentado como alternativa pela piadinha em questão, me vem à tona o buraco nas obras do metrô, causado pela presa em entregar uma obra meramente eleitoreira (o PSDB está no governo do Estado há 16 anos, não se esqueçam) e que, até hoje, o douto candidato sequer se pronunciou; a complacência com a grilagem de terras públicas procedidas pela Rede Globo; a truculência com os pobres e miseráveis, expressa inclusive com os constantes incêndios em favelas; a tentativa a toque de caixa de privatizar a CESP; a tentativa de privatizar o Banco Nossa Caixa, que só não restou frutífera porque o Banco do Brasil o adquiriu; novamente a truculência, desta vez com trabalhadores, servidores públicos e estudantes em greve, notadamente nos casos do professorado do Estado e da USP; o trágico alagamento do Jd. Pantanal, que permaneceu imerso às águas do Rio Tietê por três meses, visto que o governo, conjuntamente com a prefeitura, pretendia retirar a população do local para criar um parque; os constantes e abusivos aumentos de pedágio; uma política fundiária voltada exclusivamente ao agronegócio – gerenciado por grandes conglomerados estrangeiros, diga-se – desconsiderando que a agricultura familiar, utilizada principalmente por famílias em assentamentos, é responsável por 80% da produção dos alimentos consumidos no Brasil; a redução do período de validade do bilhete único; a terceirização das bilheterias do metrô; a aquisição, via secretaria de educação, de mais de 200 mil revistas da Editora Abril, num contrato estipulado em R$ 3,7 milhões, sem licitação – além da questionável qualidade do material produzido pela referida Editora, que é financiada por um grupo econômico sul-africano protagonista do apartheid.
Bem, de cabeça são os exemplos que me lembro. Acho que são suficientes para demonstrar qual candidato é mais próximo da “merda”,como sugere a piada.
Só para finalizar, ressalto que não sou eleitor da Dilma, tenho minhas críticas a ela e ao projeto político apresentado pelo PT nos últimos anos. No entanto, é evidente o distanciamento existente entre as candidatura, pendendo a balança, numa perspectiva de desenvolvimento liberal do país, ao lado Dilma.
E, sabendo que os autores do excreto não são pessoas que fazem um recorte social à esquerda, resta evidente que a motivação contra o PT, ocasionalmente à Dilma, se norteia exclusivamente pelo preconceito e discriminação. Aliás, a Veja, semanário preferido dessa suposta elite intelectual (os brancos de olhos azuis, nas palavras de Cláudio Lembo), já indica a seus seguidores que o preconceito será o tom dessas eleições – conforme capa que resgata debate de 2002, do medo que devemos ter radicais do PT. Se esquecem que a Regina Duarte falando “eu tenho medo”, virou motivo de chacota.
Fato é que esta técnica somente se apresenta quando não há qualquer outro argumento que justifique suas pretensões. Em outras palavras, a direita não tem alternativa alguma ao projeto político que o PT representa.
Cancion Por La Unidad de Latino América
(Pablo Milanes e Chico Buarque de Hollanda)
El nascimiento de un mundo
Se aplazó por un momento
Fue un breve lapso del tiempo
Del universo un segundo
Sin embargo parecia
Que todo se iba a acabar
Con la distância mortal
Que separó nuestras vidas
Realizavan la labor
De desunir nossas mãos
E fazer com que os irmãos
Se mirassem con temor
Cuando passaron los años
Se acumularam rancores
Se olvidaram os amores
Pareciamos extraños
Que distância tão sofrida
Que mundo tão separado
Jamás se hubiera encontrado
Sin aportar nuevas vidas
E quem garante que a História
É carroça abandonada
Numa beira de estrada
Ou numa estação inglória
A História é um carro alegre
Cheio de um povo contente
Que atropela indiferente
Todo aquele que a negue
É um trem riscando trilhos
Abrindo novos espaços
Acenando muitos braços
Balançando nossos filhos
Lo que brilla con luz propia
Nadie lo puede apagar
Su brillo puede alcanzar
La oscuridad de otras costas
Quem vai impedir que a chama
Saia iluminando o cenário
Saia incendiando o plenário
Saia inventando outra trama
Quem vai evitar que os ventos
Batam portas mal fechadas
Revirem terras mal socadas
E espalhem nossos lamentos
E enfim que paga o pesar
Do tempo que se gastou
De las vidas que costó
De las que puede costar
Já foi lançada uma estrela
Pra quem souber enxergar
Pra quem quiser alcançar
E andar abraçado nela